quinta-feira, 28 de janeiro de 2010

[No-Spoiler Review] Silent Hill: Shattered Memories


Do início até mais da metade do jogo, joguei pelo simples empurrão de estar jogando mais um título da minha série favorita, a pesar de já não ser a mesma já faz algum tempo. Silent Hill: Shattered Memories escapou por pouco dos meus mais ofensivos palavrões graças a criatividade da Climax de criar um final totalmente inusitado.

Farei um review simples, apontando pontos positivos e negativos e o porquê você deve jogar este jogo. Para começar, esqueça essa história de remake, como já foi dito várias vezes em vários lugares, definitivamente não se trata de Silent Hill 1, e sim de um novo jogo totalmente repensado. A única coisa que você pode ter certeza que encontrará em ambos os jogos é: um cara chamado Harry que procura por sua filha, chamda Cheryl em uma cidade “obscura” (além de alguns nomes conhecidos, mas sem nenhuma ligação com o original, nenhuma MESMO).

Sem armas? Sem itens? Sem corredores imensos com portas trancas? Sem correr pela cidade vazia e gigantesca coberta pela monstruosa neblina? Isso mesmo! Sem nada disso... E se você é um fã old school que nem eu, vai ficar muito desapontado no início, mas não perca a fé, vale a pena jogar. No knifes, no guns, no worries.

"Estou feliz que você veio. Só isso já mostra o seu comprometimento com o processo. Eu li os relatórios. O outro psiquiatra não deu certo para você. Agora vai ser diferente. Sem notas, drogas ou teorias. Vamos começar do zero, para entender o que aconteceu", assim começa o jogo.

PONTOS NEGATIVOS

Se o objetivo do jogo era dar mais medo, o objetivo não foi alcançado (pelo menos pra mim). A Climax queria deixar de lado a idéia de um protagonista armado, poderoso, valente... E transformou Harry Manson em um frágio ser humano que só pode fugir de suas ameaças (ou seja, uma pessoa normal, um protagonista fraco contra um antagonista forte). Nem mesmo uma faca ele se atreve a usar. E isso parece não fazer o menor sentido, mas na verdade, faz sim (e você descobrirá se jogar até o final). Infelizmente, a correria do jogo se torna cansativa, previsível e MUITO monótona. Se a cidade (ou cenário) não estão diabolicamente congelados, você pode ficar calmo, pois o máximo que aparecerá são fantasminhas e uns “ecos do além” (emoções fortes presentes no local, referente a alguém ou alguma coisa que aconteceu no passado da cidade, pode vir em forma de mensagem de texto, de som ou foto). Congelou? Corre meu filho! Só isso, simples assim... dá uma olhadinha no mapa pra ver onde tem que ir mais ou menos, e corra como Forest Gump, e isso é SEMPRE, por isso é um ponto negativo do jogo.

Quedê o sangue? Nada! Se você espera ver sangue nesse jogo, esqueça. Toda e qualquer gota de sangue foi substituída por agua... agua congelada. E aquela coloração metal enferrujado, típico da série, também não existe mais, agora é tudo azulzinho. E isso, pra mim, também diminuiu o fator “medo”, entretando... fará sentido se você jogar.

O jogo também não possui itens, afinal se você não tem armas e não vai ter, não precisa sair por aí procurando por munição. Os puzzles são de dificuldade média ou baixa, e não são necessários itens para ativa-los ou termina-los, são sempre coisas que você pode decifrar com a ajuda de dicas no cenário ou em mensagens que recebe no celular. As chaves também entram nessa, você nunca vai andar com mais de uma chave no bolso, mesmo porque, pra cada porta trancada existe uma chave ali por perto, basta abrir o armarinho ou procurar no bolso de um casaco pendurado. Isso talvez agrade ao público amador, e os papais e mamães que jogam Wii (já que o Wii é o video-game da família). Mas devo acrescentar que tiveram dois puzzles relativamente difíceis, mas é tudo uma questão de observação.

Ah, mas já que eu falei de itens, vale citar que ele (Harry) coleta algumas lembrancinhas (mementos) durante o jogo, itens aleatórios que parecem não fazer o menor sentido na história, ok, realmente não fazem sentido nenhum para Harry (o senhor cata-lixo), mas no final do jogo, dependendo da sua interpretação, talvez os itens tenham algum significado (considere os mementos um ponto neutro, e não negativo).

Dahlia é uma biscate de 18 aninhos? (Isso não é spoiler, dá pra ver no trailer e em diversas imagens do jogo) Yeap! Não vou falar muito mais que isso para não estragar as surpresas, mesmo porque, dependendo de "como" você jogar, talvez isso mude. Só te digo para esquecer definitivamente que os nomes dos personagens são os mesmos do primeiro Silent Hill, pense que são pessoas totalmente diferentes e por uma mega coincidência tem o mesmo nome e sobrenome hehe. O ponto negativo aqui é o seguinte: no primeiro jogo (Silent Hill), todos os personagens tem uma longa aparição e fazem sentido na história, tem papeis importantes... Já em Silent Hill: SM, você verá que alguns personagens (leia-se a maioria, já que tem poucos mesmo) não são muito importantes pra história, no contexto geral são meros coadjuvantes para dar um toque de mistério no jogo (bem, se você considerou isso spoiler, foi mal mas eu tinha que falar... não vai afetar a sua visão enquanto estiver jogando... E você só vai se dar conta e concordar comigo quando chegar a um certo ponto do jogo).

Que repetição de sons! É verdade, nunca vi um jogo tão reciclado... Pra começar os bixos que te perseguem são sempre os mesmos, do início ao fim, ok eles mudam de skin algumas vezes, o que não faz diferença alguma, já que correm do mesmo jeito, gritam do mesmo jeito e você terá que fazer a mesma coisa: correr (talvez por isso não faria o menor sentido fazer varios bixos diferentes já que você so tem que correr deles). Sempre que aparece um fantasminha, você vai escutar o grito de uma menina (Cheryl maybe), o mesmo grito.

As vezes prevísivel, as vezes não. SH: SM é um jogo em grande parte monótono, tem um gameplay previsível porem as cutscenes trazem bastante surpresas (algumas inexplicáveis e incompreendíveis, mesmo depois de terminar o jogo). Outra coisa que desaponta logo de cara, é como o jogo é linear... o objetivo da Climax era excluir aquele corre-corre pela cidade, ficar procurando onde tem que ir... mas cá entre nós, sem isso não é Silent Hill... Silent Hill é se perder na cidade vazia, assustadora e cheia de neblina, com monstros sorrateiros escondidos. Shattered Memories te dá algumas opções para visitar, mas grande parte dos caminhos está sempre bloqueado (na maioria das vezes por neve e Harry Manson agora pula paredes e grades, mas não se atreve a meter o pé na neve hehe) o que torna o jogo, como eu disse, bastante linear.

O jogo é relativamente curto, talvez o mais curto de todos os Silent Hill’s já criados. Mas isso ajuda no fator re-play, a vontade de jogar denovo pra conferir os outros finais é maior (considere ponto neutro).

PONTOS POSITIVOS

A trilha sonora de Silent Hill é sempre positiva, graças ao único veterano na equipe, Akira Yamaoka. Você pode tranquilo esperar por musicas perturbadoras e canções melodramaticas cantadas por Mary Elizabeth McGlynn. Mesmo assim, Akira aceitou fazer um estilo um tanto diferente, mas não ficou ruim de forma alguma. Só ficou ausente aqueles fortes e perturbadores ruídos metalico-industriais, mas não tinha mesmo cenário que combinasse com isso.

Uma terapia! Os testes de personalidade são algumas vezes idiotas (como aquele de pintar a casinha), mas em geral, são divertidos e os monólogos do Dr. K são muito interessantes. O jogo possui 5 finais diferentes (contando com o final UFO que é MUITO engraçado), mas as possibilidades de jogo são inúmeras, apesar de algumas diferenças serem muito bobas e não afetarem em nada a história... por exemplo, mudar o caminho, o cenário, as roupas, algumas cores, diálogos e coisas assim, no final dando o mesmo resultado, mas torna o jogo mais compatível ao jogador. O fator replay ficou presente e forte, te dá vontade de jogar denovo e responder de forma diferente os testes. Os cinco finais têm características diferentes mas levam à mesma conclusão (que você descobrirá se jogar), por isso você pode jogar tranqüilo sem se preocupar com "qual é a melhor resposta para aquele teste", não existe melhor resposta, nem final bom ou ruim, apenas escolhas diferentes. E acredite, se não fosse pelo final do jogo eu nem estaria aqui perdendo meu precioso (not) tempo escrevendo. Realmente o ponto forte, o pico do êxtase, é o final. Se você entrar no clima do jogo tanto quanto eu entrei, deixará algumas lágrimas caírem e ficará muito surpreso.

A idéia do jogo foi realmente muito boa. SH: SM é um jogo estilo “cinema”, e me atrevo a dizer que é o Silent Hill mais próximo da realidade já criado. Eu joguei no PSP, não tenho Nintendo Wii, se eu tivesse, com certeza teria ainda mais pontos positivos para falar... Se você tiver oportunidade de jogar em um Wii, não perca a chance! Se no PSP já foi legal, imagina no Wii, com o gráfico melhorado, ausencia de lag ao abrir as portas (sim, no PSP dava LAG quando abria algumas portas e isso era muito irritante) e todas as funções que Wii remote pode oferecer! O jogo foi até que bem portado para as plataformas PSP e PS2 (acredite, já vi ports bem piores), deixou a desejar em algumas coisas, mas fiquei feliz de terem feito, afinal só assim pude jogar (até agora, já que não tenho um Wii, ainda).

CONCLUSÃO

O jogo não tem tantos finais assim, caso você tenha jogado os outros, vai se lembrar que Silent Hill 2 têm 7 finais diferentes e com sentidos totalmente diferentes, mas Silent Hill Shattered Memories consegue prender o jogador, que fica cada vez mais curioso com o que está acontecendo. As possibilidades de jogo não são infinitas, mas são bastante grandes. Como os testes de personalidade não são todos de uma vez no início e sim de pouco em pouco durante jogo, é possível tomar decisões e caminhos diferentes ao decorrer da história. Você terá que zerar algumas vezes se quiser aproveitar tudo que o jogo pode oferecer... Ou pode zerar duas, três vezes e ver o resto pelo Youtube (hehe, sim eu fiz isso!).

Enfim, vale a pena jogar Silent Hill: Shattered Memories, por ser um jogo criativo, com foco em terror psicológico. Um titulo raro que fez jus à categoria “survival-horror”, mesmo tendo uma considerável quantidade de pontos negativos, os pontos positivos conseguiram supera-los. Mesmo não tendo alcançado o medo profundo no estilo “pesadelo macabro” dos antecessores, criaram com êxito um inferno gelado de dúvidas e perturbações, com brilhantes conclusões, dignas de filmes como efeito borboleta. Climax, está de parabens. O final UFO é um dos mais engraçados que eu já vi na série, com quadros desenhados em estilo anime, muito bem feitos!

NOTAS

Música: 10/10
Jogabilidade: 8/10
Medo: 7/10
Criatividade: 9/10

Nota Geral: 8,5

Eduardo Schmidt Bertazzo Silveira (Duske)


2 comentários:

  1. Este comentário foi removido pelo autor.

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  2. Francamente esperar que Silent Hill seja um resident evil ou um alone in the dark ou mesmo um fatal frame... é conhecer muito pouco a série hein?
    Shattered Memories na minha opinião canalizou muito bem o espirito da série, serviu como um prologo e nucleo da alma do jogo, SH sempre foi mais pendente por lado do storybook (gênero de game quase desconhecido no ocidente) do que propriamente um game de ação, e o chamado gênero "survival" nunca foi a melhor justificativa para a série (ainda que o jogo sempre tenha se servido bem de ação).
    Não é um jogo muito bom para ser curtido em portátil, ainda que não seja um game 1080p, ele urge por uma tela de no mínimo 29" e um controle sem-fio (para voce andar em círculos na sala enquanto o cerebro vai matutando o enredo)
    Enfim, eu acho ele um jogo ótimo, se ele peca em alguma coisa é por não ser tão grudado a série assim (pra mim isso não é pecado) ou seja, é um game que, se não tivesse o pano de fundo de silent hill atrás, ele funcionaria do mesmo jeito.
    PS: um game ideal para quem não conheçe a série.
    PS2: (seria) o script ideal para um longa, já não tivesse sido usado no game.

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